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Quarta-Feira, 17.07.2013 às 14:27

Os Pensadores do Método Científico - René Descartes

Planeta EAD

Matemática (FOTO: http://www.morguefile.com/archive/display/729214)

Os Pensadores do Método Científico - René Descartes 


Vida e Obra

 Descartes nasceu no dia 31 de março de 1556 em Touraine, França. Aos oito anos foi estudar no colégio La-Flèche, onde permaneceu durante o período de 1604 a 1612 recebendo uma educação jesuítica, por ele mesmo criticada na primeira parte do seu Discurso do método. Descartes considerou seu preparo insuficiente para garantir-lhe uma orientação segura na compreensão do mundo e de seu tempo, constatando dessa forma a fragilidade da cultura escolástica da época.

Em 1618, Descartes engajou-se nos exércitos de Maurício de Nassau, participando inclusive da Guerra dos Trinta Anos. Como soldado percorreu toda Europa, período em que despertou seu interesse pelos estudos de física e de matemática, sendo introduzido por Beckeemam na física de Copérnico. Descartes voltou a Paris onde freqüentou os meios intelectuais e foi aconselhado pelo Cardeal Bérulle a estudar filosofia e a buscar a conciliação entre seus interesses e a doutrina cristã para não colocar em risco sua segurança.

Já em 1628 Descartes instalou-se na Holanda, onde se sentiu seguro para continuar seus estudos devido à tolerância filosófica e religiosa daquele país. Longe dos compromissos sociais de Paris, Descartes encontrou maior disponibilidade para continuar a busca do método ideal de pesquisa científica. No período entre 1628 e 1650, o ano de sua morte, Descartes escreveu vários trabalhos muitos somente publicados em tempos póstumos, suas principais obras foram: O discurso do método, As meditações Metafísicas, Os princípios de filosofia, O tratado do homem e o Tratado do mundo.

Desde 1619 Descartes pensava em seu método, entretanto somente depois de sua chegada a Holanda é que começou a escrever sobre o assunto. Iniciou seus escritos pelas regras do método, contidas nas Regulae ad directione ingenii que só foram publicadas após sua morte, em 1701. No mesmo período começou também a compor um tratado de metafísica que foi um protótipo das Meditações e, em 1633, terminou o Tratado do Mundo. Contudo, quando recebeu a notícia da condenação de Galileu, Descarte optou por renunciar a publicação da obra, evitando entrar em confronto aberto com a Igreja. Naquele momento, retirou do tratado original três (3) ensaios, que publicou em 1637 sob os títulos: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria, antepondo-lhes um prefácio que foi o Discurso do Método.

Apologia da Razão:

"A personalidade de Descartes marca a decisiva viragem do Renascimento para a Idade Moderna" (Abbagnano,1982:37). Descartes dá continuidade ao dualismo platônico, por reconhecer que a problemática do conhecimento envolvia o homem e o mundo, sujeito e objeto. Assim, optou por solucionar a questão através do sujeito.

A razão humana é a base da filosofia cartesiana, que foi proposta em total sintonia com o pensamento humanista, onde o homem é colocado no centro da questão, como sujeito no mundo objetivo. Descartes buscou para si a solução das questões que lhe interessavam, através de um procedimento essencialmente autobiográfico. Seu trabalho foi descrever o seu procedimento individual, sem se preocupar em ensinar um método ao qual todos devessem seguir.

Descartes não procurou senão resolver o seu próprio problema; porém a verdade é que a solução encontrada por ele não vale só para si, mas para todos os homens, porque a razão que constitui a substância de toda a subjetividade humana é igual em todos os homens (Abbagnano,1982: 41).

Para Descartes a base do conhecimento foi a metafísica e sua unidade foi a razão, utilizando-se da dúvida metódica ele atingiu o cogito ("penso logo existo") recolocando de forma sistemática a dúvida na existência de todas as coisas. Assim, só lhe restou a própria dúvida em forma de pensamento (duvido logo existo), desse processo emergiu a razão como a unidade do conhecimento ou, pelo menos, neste primeiro momento, como unidade da dúvida.

O cogito é o espírito que descobriu a si mesmo, a primeira verdade descoberta de maneira insofismável, todavia, como garantir a esse espírito outra verdade que não seja sua própria existência? Para responder a esta questão Descartes propôs a existência lógica de Deus.

A razão se mostrou puramente especulativa fora dos limites da experiência, Por isso, Descartes partiu então para provar racionalmente a existência de Deus. Segundo seu pensamento, a presença da dúvida no espírito determina a consciência de uma "não dúvida", a consciência da perfeição, o sentido do perfeito está nos homens e em sua busca. Para Descartes esse foi o legado de Deus aos homens. O sentido de verdade, inspirado pela onipresença e onisciência de Deus, é o elemento mediador entre a razão humana e o mundo. A utilização de um argumento lógico, com base na racionalidade humana foi a diferença básica estabelecida entre a filosofia cartesiana e a doutrina escolástica.

O Método Cartesiano: Descartes usou os princípios do processo matemático como a base de construção de seu método, sua tarefa principal foi emancipar a prática do método matemático para todas as ciências.

As longas cadeias de raciocínios tão simples e fáceis, de que os geômetras costumam servir-se para chegar às suas mais difíceis demonstrações proporcionaram-me o ensejo de imaginar que todas as coisas que o homem pode ter conhecimento se seguem do mesmo modo e que, desde que se abstenha de aceitar por verdadeira uma coisa que não o seja e que respeite sempre a ordem necessária para deduzir uma coisa da outra, nada haverá tão distante que não se chegue a alcançar por fim, nem tão oculto que não se possa descobrir (Descartes).

Descartes definiu seu método como um conjunto de regras que, devidamente observadas, conduziriam ao conhecimento verdadeiro. Impossibilitado de tomar o falso pelo verdadeiro, só restaria ao seguidor do método a ampliação do conhecimento sem nenhum esforço mental inútil. Na segunda parte do Discurso sobre o método, Descartes apresenta quatro regras fundamentais:

Regra da evidência: Jamais aceitar alguma coisa como verdadeira, se isto não for evidente, caso a coisa não se apresente clara e distintamente ao espírito sem deixar margem de dúvida, não pode ser considerada como verdadeira. Esta não é uma regra conclusiva, entretanto, é uma regra exclusiva, caso a proposição não atenda a condição de verdade evidente, deve ser imediatamente excluída. "O acto com que o espírito atinge a evidência é a intuição" (Abbagnano,1982:44). A intuição é puramente racional e, por sua imediatividade, opõe-se à conjectura e antecede à dedução, de forma instantânea a mente colhe seu o próprio conceito e se torna transparente para si mesma.

Regra da análise: Em geral, uma dificuldade é um conjunto de pequenos problemas, a análise da questão procura separar detalhadamente todas as partes do problema em maior número possível, entender as particularidades de cada uma e sua função como componente do todo. Agindo desse modo, elimina-se as complicações supérfluas e torna-se mais simples o problema, ordenando sua solução em torno da resolução das dificuldades encontradas em cada uma das partes.

Regra da síntese: A partir do desmembramento de uma dificuldade em pequenos problemas e da solução dos problemas em partes, deve-se conduzir os pensamentos por ordem, começando pelos objetos mais simples e fáceis de se conhecer e aos poucos ir rejuntando as partes e elevando o grau de complexidade das questões. Esse processo exige um procedimento ordenado análogo ao da geometria e prescreve que todo saber possa ser ordenado dessa forma. A ordem assim designada é a ordem da dedução, que é outro ato fundamental do espírito humano. A ordem dedutiva parte das coisas simples que Descartes chamou de absolutas para as mais complexas e interdependentes, que devem ser deduzidas e são denominadas relativas.

Regra da enumeração: "Fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que se fique certo de não omitir nenhuma. A enumeração controla a análise, enquanto a revisão controla a síntese." (Abbagnano,1982:46).

A partir da intuição, desencadeia-se o processo dedutivo para comprovar e explicar uma tese. O problema é repartido através da análise e os dados analisados são recompostos através da síntese. O controle do processo é feito através da enumeração, que garante o rigor científico da comprovação.

Bibliografia

ABBAGNANO,Nicola. Historia da Filosofia, Lisboa, Presença, 1982, volume VI

ANDERSON,Perry.  Passagens da Antigüidade ao Feudalismo, SP, Brasiliense,1991.

BACON,Francis, 1561-1626. Novum organum, Nova Atlântida, SP, Nova Cultural, 1988 (coleção Os Pensadores).

BRECHT, Bertold. A Vida de Galileu, Lisboa, Portugália , 1970.

BRUGGER,Walter. Dicionário de Filosofia, SP, Pedadgógica e Universitária, 1987.

DESCARTES,René, 1596-1650. Discurso do método, SP, Nova Cultural,1991 (coleção Os Pensadores).

GALILEI,Galileo, 1563-1642. O Ensaiador, in Galileu - Newton, SP, Nova Cultural,1991 (colecão Os Pensadores).

LE GOFF, Jacques. Os Intelectuais na Idade Média,, SP, Brasiliense,1989.

MANACORDA, Mário A. História da Educação: Da Antigüidade aos Nossos Dias, SP, Cortez, 1996.

SOUSA, Osvaldo Rodrigues. História Geral: da pré-história aos últimos fatos de nossos dias, SP, Ática, 1981.

PONCE, Anibal, Educação e Luta de Classes, São Paulo, Cortez, 1983

Quarta-Feira, 17.07.2013 às 11:18

Conceito sobre “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”

Planeta EAD

Sala de aula (FOTO: http://www.morguefile.com/archive/display/84048)

Luciane Zanchi Sperafico - Psicopedagoga, Especialista em Educação Especial, Aperfeiçoamento em Neurociências da Aprendizagem e TDAH

 A literatura a respeito do diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções muitas vezes, divergentes entre si.

 Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos.

 De acordo com o CID – 10os Transtornos Específicos do Desenvolvimento das Habilidades Escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares.

 O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV) estima que a prevalência dos Transtornos de Aprendizagem seja na faixa de 2 a 10% da população, dependendo da natureza da averiguação e das definições explicadas.

 As alterações apresentadas por esse contingente maior de alunos poderiam ser designadas como “dificuldades de aprendizagem”. Participariam dessa conceituação os atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como alterações patológicas.

 Conforme pode ser observado na definição acima, podemos considerar que há dois grandes grupos de Dificuldades de Aprendizagem:

 (1) Dificuldades Escolares (DE) que podem ter como causas, as falhas no processo de alfabetização, inadequação do método pedagógico aos estilos e características de aprendizagem do aluno, excesso de mudanças de escolas, problemas escolares diversos (na dinâmica escolar), além de poderem ser resultantes de condições neurológicas diversas (epilepsia, paralisia cerebral e outros quadros neurológicos), deficiências em geral (física, mental, auditiva, visual, múltipla) e psicossociais (problemas na dinâmica familiar, estimulação inadequada e outros problemas sociais). É evidente que tais condições não são determinantes para que uma criança apresente uma dificuldade de aprendizagem, no entanto, irão influenciar o processo de aprendizagem.

 (2) Distúrbios de Aprendizagem (DA) caracterizados por uma disfunção no Sistema Nervoso Central e decorrentes de uma falha no processamento das informações. Desse modo, a criança recebe adequadamente as informações do meio externo (visuais, auditivas e cinestésicas), porém há uma falha na integração, processamento e armazenamento dessas informações resultando em problemas na "saída" das informações sejam pela escrita, leitura ou cálculo.

 O diagnóstico dos Distúrbios de Aprendizagem deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais das áreas: Psicologia/Neuropsicologia, Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Neurologia e Psiquiatria, uma vez que o quadro pode ser acompanhado por alterações em funções diversas que comprometem a aprendizagem da criança ou jovem.

 Dentre os Distúrbios de Aprendizagem, atualmente o que mais tem sido discutido e abordado é a Dislexia, Disgrafia, Discalculia e TDAH.

 As dificuldades de aprendizagem constituem o principal desafio para os educadores. O fracasso escolar atinge as crianças em desenvolvimento, derrubam sua auto-estima, promovem dificuldades de relacionamento, distúrbios de comportamento e a marginalização daqueles que não se adaptam a regras sociais que não o reconhecem como sujeito em processo de aprendizagem.

 Do enorme contingente de crianças com fracasso escolar, apenas uma minúscula fração consegue ser encaminhada a um recurso que permita compreender suas dificuldades, para obter algum atendimento a respeito da dificuldade que apresenta.

 O diagnóstico precoce do distúrbio de aprendizagem é fundamental para a superação desta dificuldade. Desta forma se verifica a área mais comprometida e se encaminha para a abordagem terapêutica mais adequada.

 Sabemos que existem vários fatores que afetam a cognição, como por exemplo:Fatores Emocionais que invadem os processos de pensamento (ansiedade, insegurança...); Orgânicos ( baixa visão/ audição...);  Neurológicos ( lesão cerebral, PC...); Comportamentais ( TDAH, Asperger...); Sindrômicos e muitos outros, os quais dificultam o diagnóstico, impedindo assim, que se faça uma intervenção precisa e eficaz. Por este motivo, é importante que se faça um trabalho em equipe, onde médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, Especialistas em Educação Especial, cada um em sua área, lançam mão de suas técnicas e conhecimentos específicos, a fim de oferecer um diagnóstico preciso, para que se faça uma intervenção apropriada para cada caso.

 Em nosso trabalho no CENAIPP, especialistas como Psicopedagogas, Psicólogas e Educadoras, observamos a preocupação dos pais com seus filhos que apresentavam dificuldades na escola, e que apesar de seu desempenho, dos professores e da própria criança, víamos a frustração e desânimo dos mesmos quando as metas de aprendizagem não eram alcançadas, o que levava essas crianças a um rebaixamento da autoestima e sentimentos de “não ser capaz”.

 Por isso, quanto mais cedo qualquer distúrbio e/ou Dificuldade de Aprendizagem for percebida, maior a chance de iniciar o tratamento e alcançar êxito satisfatório no processo cognitivo e consequentemente, na aprendizagem, as queixas relatadas pelos professores com maior incidência sobre o aluno que não aprende são:

 Falta de atenção;

 Esquecimento;

 Dificuldade na leitura e na escrita;

 Dificuldade na matemática;

 Dificuldade nos processos de pensamento;

 Dificuldade nas atitudes de trabalho;

 Problemas de comportamento e de motivação pelas atividades escolares;

 Frustração e fraca auto-estima;

 Problemas de estudo e de organização;

 A identificação precoce das Dificuldades de Aprendizagem no ensino pré-primário, ou mesmo antes, constitui, portanto, uma das estratégias profiláticas e preventivas mais importantes para a redução e minimização dos seus efeitos, pois, neste período crítico de desenvolvimento, a plasticidade neuronal é maior, o que quer dizer que os efeitos de uma intervenção compensatória e em tempo útil podem ter consequências muito positivas nas aprendizagens posteriores.

 Para se desenvolverem estratégias preventivas temos que considerar para além dos educadores e dos professores, os próprios pais, pois como conhecem muito bem os seus filhos, podem notar neles padrões de desenvolvimento diferentes, mesmo no seio da mesma família.

 Os pais, por exemplo: podem notar que um dos seus filhos tem mais dificuldades em dominar o alfabeto que outro, ou que tem mais relutância para aprender a ler ou é mais distraído e descoordenado. As preocupações dos pais respeitantes a estas questões devem ser seriamente consideradas, pois, na sua observação diária e na sua reflexão não profissional, podem evocar sinais muito importantes para organizar uma avaliação dinâmica do potencial de aprendizagem dos seus filhos.

 Em suma, cabe aos professores e profissionais da escola, além, é claro, dos familiares, acompanharem o crescimento e o desenvolvimento de suas crianças e jovens, ao menor sinal de problema de aprendizagem, procurar verificar as causas e consultar um profissional.

 Fonte: http://www.fatimanews.com.br/noticias/leia-o-conceito-sobre-transtornos-e-dificuldades-de-aprendizagem-por-l_131494/  

Quarta-Feira, 17.07.2013 às 11:08

Bullying: necessidade de uma reflexão

Planeta EAD

Criança (FOTO: http://www.morguefile.com/archive/display/828224)

Breno Rostotolato - professor de psicologia da Faculdade Santa Marcelina (São Paulo).

 É preocupante o aumento de casos de bullying nas escolas do mundo todo. A divulgação na mídia revela uma violência cada vez mais presente no ambiente escolar, mas que não é atual. Casos de agressões entre alunos, física ou emocional, revelam que estamos lidando com um sintoma social e que compromete as escolas, a infância e o futuro das crianças envolvidas, sejam elas alvo ou agressores.

 Deparamo-nos com casos de repercussão mundial e que tiveram como sustentação as bases negativas do bullying. Casos como o massacre em Columbie e, mais recentemente, o estudante T.J. Lane, que efetuou vários disparos na cafeteria da escola, são casos que denunciam o bullying como  fenômeno social que alicerça tais crimes. Entretanto, considero imprescindível analisar um pouco o tema. Bullying é um termo inglês originário de bully, que significa “valentão” ou “tiranete” que, especificamente, é aquele que abusa de sua autoridade ou posição para oprimir os que dele dependem. O termo bullying designa os atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

 Este comportamento agressivo possui uma forma direta como apelidos, xingamentos, roubos e gestos ofensivos. A forma indireta está relacionada com difamações, isolamento e indiferença, ou seja, quando a vítima está ausente. Os primeiros trabalhos que discutiram o assunto aconteceram nos anos 1960 são dos psicólogos Dan Olweus, na Noruega, e Heinz Leymann, na Suécia.

 Ainda existe uma outra forma de bullying, denominada cyberbullying, que consiste em gravar as agressões em vídeo, geralmente pelo celular, e publicar a cena na internet.

 O bullying não é um fenômeno novo, é mais antigo do que imaginamos. Certamente, você pode ter sido vítima ou conheceu alguém que sofreu com estes maus-tratos. Há um aumento significativo nos atendimentos psicológicos que possuem como conteúdo implícito questões relacionadas ao bullying e que não demoram muito para se revelarem. A dor e o sofrimento são intensos e sustentam o conflito emocional do paciente. Relatos ressentidos e mágoas que não cicatrizam são comprometimentos emocionais presentes.

 A vida escolar e a acadêmica não trazem boas recordações para muitas pessoas. Numa pesquisa feita na Inglaterra, em 2002, o bullying foi apontado como a principal preocupação dos pais, a frente da qualidade e dos métodos de ensino. O bullying é uma forma de autoafirmação através da agressão. O vitimizado é o receptor destas agressões. Tanto bullying como vitimização, possuem consequências desastrosas imediatas e posteriores para todos os envolvidos: agressores, vítimas e observadores.

 Foi divulgado um vídeo no qual aparecem Casey Heines, 16 anos, estudante australiano, no qual era agredido com socos desferidos em seu rosto e barriga. O menino reagiu segurando o agressor e jogando-o de costas no chão. Lembro-me que assisti ao vídeo divulgado num telejornal e me choquei pela violência da imagem. O agressor saiu cambaleando, atordoado e mancando. Imaginei na época o quanto a vítima deve ter aguentado e sofrido para exteriorizar toda a sua raiva daquela maneira.

 Um caso ainda mais chocante foi o massacre de Realengo, como assim ficou conhecido. Wellington Menezes de Oliveira, 23, ex-aluno da Escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, assassinou cruelmente doze alunos,com idades entre 12 e 14 anos. Num perfil traçado pela irmã e por conhecidos de Wellington na época em que estudava, descrevem o rapaz como alguém muito reservado, tímido, que não se socializava e que sofria bullying. Lógico que estes dados são insuficientes para explicar o ato criminoso, e, tampouco, acredito que estes fatores foram preponderantes para o ato violento, mas estou convicto de que são ingredientes que acentuaram o embotamento afetivo e as fantasias destrutivas de Wellington, que abrangiam atos terroristas associados com a doutrina islâmica e uma carta deixada por ele em que transparece uma mente doentia e perturbada.

 Enquanto escrevia este artigo, me questionei sobre outro fato: os trotes universitários realizados no começo do ano letivo. Quero deixar bem claro que me refiro aos trotes violentos. Não seriam estes também comportamentos de bullying? Acredito que sim. Trotes que terminaram de forma trágica, como o famoso caso do estudante de medicina encontrado morto na piscina da USP em 1999. Hoje, me parece que já existe uma mobilização entre os estudantes e instituições para mudar o significado desta interação entre veteranos e calouros. O trote solidário, louvável, uma vez que também não seja imposto mas, sim, voluntário.

 Está na hora de olhar para o problema do bullying e encará-lo com seriedade. Precisamos retomar a importância social das escolas e faculdades. Restabelecer o valor dos professores, e não me refiro apenas a salários dignos, mas ao valor de autoridade. Ao governo fica a conscientização de sua responsabilidade nos investimentos na área da educação, infelizmente esquecida e marginalizada neste país. Tudo está interligado, e a negligência de cada elo deste sociossistema poderá ocasionar novas histórias trágicas.

 Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/03/18/bullying-necessidade-de-uma-reflexao/

Quarta-Feira, 17.07.2013 às 11:04

Site brasileiro reúne aulas de universidades estrangeiras legendadas

Planeta EAD

Bandeiras (FOTO: http://www.morguefile.com/archive/display/731866)

SÃO PAULO - Inúmeras universidades renomadas, como Harvard, MIT e Yale, disponibilizam vídeos de disciplinas inteiras na internet a partir de iniciativas de conhecimento livre. Para facilitar o acesso do público brasileiro a esse tipo de aula, o portal recém-lançado Veduca pretende não só reunir e organizar os cursos, como legendar o material em português.

 Idealizado pelo engenheiro Carlos Souza, o site organiza mais de 4.700 vídeo-aulas de 11 instituições americanas e australianas por assunto, curso, professor ou universidade. Até agora, apenas parte do material está legendada, mas a expectativa do empresário é que metade das aulas esteja traduzida para o português até o fim deste ano e que todo o conteúdo tenha legendas até o fim de 2013. Com acesso gratuito, o portal também possui uma seção em que relaciona notícias e aulas sobre o mesmo tema.

 Fonte: http://www.valor.com.br/carreira/2576980/site-brasileiro-reune-aulas-de-universidades-estrangeiras-legendadas

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